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Abria a janela e olhava O longe azul das montanhas Sino da Igreja de Lourdes Batia a Ave Maria Fazia em nome do Padre O horizonte incandescia E minha alma se escondia No ouro do sol morrente
Um cheiro bom de guisado Se evolava da cozinha E minha mãe me chamava Na mesa posta, as terrinas Feijão grosso, angu, torresmo Lombinho de porco assado Couve picada fininha De sobremesa, arroz doce De cidra e queijo de Minas Pra completar, cafezinho Quente e ralo, assim convinha
Na cabeceira da mesa Meu pai, voz grossa e macia E a conversa se fazia Sobre tudo se falava Meus irmãos tumultuavam Cinco homens, cinco meninas Minha mãe olhava tudo De vez em quando sorria
Na neve do jasmineiro A noite se embranquecia Amigos vinham chegando Violões apareciam Já nascia a madrugada Mas dormir ninguém queria Nos queixumes de uma voz Outras em coro se uniam E a serenata acendia Ouro esquecido de estrelas Nos céus de Minas Gerais |